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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026

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Brasil reforça estratégia e mantém aposta no acordo Mercosul-UE

Para Ministério da Agricultura, tratado oferece ganhos em cadeias tradicionais e segmentos de nicho, com potencial de ampliar o acesso dos brasileiros a produtos de maior valor agregado 

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Por Gazeta Rondoniense
Brasil reforça estratégia e mantém aposta no acordo Mercosul-UE
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Mesmo após o Parlamento Europeu aprovar, por margem apertada, uma revisão jurídica adicional sobre o acordo Mercosul–UE (União Europeia), passo que retarda a tramitação e expõe divisões internas no bloco, o governo brasileiro mantém a avaliação de que o tratado continua oferecendo ganhos objetivos e mensuráveis para exportadores e consumidores.  Para o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o momento exige reforço técnico e comunicacional, não retração. 

Para Luís Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais da Pasta, Luís Rua, o Brasil seguirá adiantando seus trâmites e reforçando a defesa técnica do acordo, mesmo diante da judicialização europeia. “O Brasil quer dar esse sinal. Mesmo com o revés, existe a possibilidade de o acordo entrar em vigor, e avançaremos”, disse ao CNN Agronews. 

Para acompanhar de perto temas como este, a CNN Brasil inicia no próximo mês a cobertura setorizada do agronegócio brasileiro. A partir do dia 9 de fevereiro, a emissora oficializa a estreia do CNN Agro, novo núcleo editorial dedicado ao agronegócio, que terá uma presença multiplataforma, ocupando espaços de destaque tanto no canal principal da CNN Brasil quanto no CNN Money e nas plataformas digitais. 

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O secretário destaca que os benefícios já mapeados pelo governo são concretos e abrangem desde cadeias tradicionais até segmentos de nicho, com potencial de ampliar o acesso dos brasileiros a produtos europeus de maior valor agregado, além de consolidar a presença do agro brasileiro no mercado europeu. 

O acordo, disse ele, pode ampliar o acesso dos consumidores brasileiros a categorias europeias de maior valor agregado, como vinhos, queijos especiais, azeites e presuntos de origem controlada. 

Oferta ampliada

“Há espaço tanto para ampliar a oferta de itens como o vinho, que está com o consumo crescendo no Brasil, quanto para a interação produtiva em cadeias de valor como azeite e presunto. A grande vantagem será alcançar outras camadas da população, especialmente as classes B e C, permitindo que estes grupos econômicos também possam ter acesso a esses produtos”, disse. 

Atualmente, o Brasil exporta 212 produtos de agro para a União Européia e não haverá, em um primeiro momento, abertura de novos itens para o mercado europeu. No entanto, Luís Rua aponta ganhos “para todos os setores da economia do agro”. “Não há setor que não seja beneficiado. E há também oportunidades para os produtores europeus”, frisou. 

Os dados oficiais do MAPA mostram que as exportações agrícolas brasileiras para a União Europeia quase dobraram em 2025, passando de cerca de US$ 12,4 bilhões em 2016 para US$ 21,8 bilhões no ano passado, mantendo entre 37% e 46% da participação no total exportado pelo Brasil ao bloco, um indicador da importância estrutural do agro na relação comercial bilateral. 

Segundo Rua, os acessos serão por três mecanismos: Desgravação imediata, com produtos que entram no primeiro dia de vigência com tarifa zero, como a uva de mesa, hoje sujeita a 14% de tarifa, que cairia imediatamente para zero; Reduções graduais, como o caso do café solúvel, cuja tarifa será equalizada com a do café verde em quatro anos; e Cotas ampliadas, com destaque para o frango, que atualmente entra com uma cota de 36 mil toneladas no primeiro ano, aumentando para 72 mil, 98 mil e chegando a 180 mil toneladas no sexto ano — todas somadas às cotas já existentes. 

Segundo o secretário, “mais de 90% dos produtos do agro brasileiro estão no primeiro ou no segundo caminho”, o que assegura ganhos quase imediatos e com previsibilidade. A avaliação do MAPA é que a redução tarifária nesses segmentos tende a aumentar a oferta, diversificar preços e abrir um mercado hoje restrito, favorecendo o consumo interno sem comprometer a produção nacional. 

O secretário também cita oportunidades de integração produtiva e investimentos europeus no Brasil, especialmente em nichos como máquinas agrícolas, cadeias integradas de proteína e produtos premium. “Há espaço para conexão de cadeias de valor, para produzir uma parte aqui e outra lá. Não é apenas comércio, é estrutura produtiva”, afirmou.  

Padrões sanitários alinhados 

Em meio ao avanço da judicialização no Parlamento Europeu, Rua reforçou que o Brasil não aceita enquadramentos desiguais. “Nós não olhamos de baixo para cima nem de cima para baixo. A ideia é mostrar o que temos a oferecer”, disse. 

Ele reforçou que, “rigorosamente”, nenhum requisito sanitário ou fitossanitário será alterado com o acordo, e que em muitos casos a legislação brasileira é até mais rígida que a europeia.  Diante do aumento do ruído político na Europa, isso é um ativo diplomático importante e o governo considera fundamental intensificar a comunicação institucional para reduzir distorções sobre o Brasil e qualificar o debate. 

O secretário afirmou que o Ministério apoia a iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apexbrasil) de ampliar campanhas de esclarecimento no continente, destacando rigor regulatório, qualificação sanitária e sustentabilidade das cadeias produtivas. “É importante reforçar a qualidade do produto brasileiro”, disse. 

 

FONTE/CRÉDITOS: lucianafranco
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